sábado, 9 de abril de 2011
BIBLIOTECA
Uma biblioteca é bem mais do que uma grande coleção de livros, e ainda mais do que apenas o lugar onde eles são guardados e catalogados por assuntos, datas, autores etc. Uma biblioteca, assim pensava Álvaro, é um santuário, onde os seres humanos comparecem ao encontro marcado com o Transcendente, quando este se apresenta na forma de palavras escritas. Estas, por seu turno, não são apenas tatuagens com que foram marcadas para sempre as páginas de um livro. As palavras são, sim, seres vivos, germes inquietos à espera de uma chance de pular furiosamente e atravessar olhos curiosos, com o fim de engravidar as mentes férteis. Destarte, a leitura é uma espécie de ejaculação às avessas onde os espermatozoides são as palavras. E lá estão elas aos bilhões, pululando em seus viveiros, vindas não se sabe de que profundidade de inteligências tantas. É ali onde elas se ajuntam e se reúnem em milhões de diferentes arranjos, que possibilitam a formação daqueles fluxos intempestivos e incontroláveis, capazes de mudar os destinos das pessoas e da própria humanidade, que são as ideias. Por tudo isso, uma biblioteca também é um lugar de alto risco, uma espécie de laboratório químico, onde muitas substâncias, algumas perigosas outras inofensivas, são entrelaçadas, podendo resultar em combinações altamente explosivas. É essa a razão por que é extremamente arriscado ler certos livros, e por que muitos destes foram proibidos e destruídos em nome de valores que se pretendiam perpétuos e imutáveis. Muitas pessoas, é bem sabido, já foram torturadas e mortas pela ousadia da escrita e a audácia da leitura.
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