A saudade nasce quando nós nascemos. Ela vem dentro de nós em estado de repouso, por isso é quase imperceptível. Ninguém provoca saudade em nós. As pessoas entram na nossa vida sem pedir licença, passam algum tempo transtornando nossa tranquilidade, intercalando bons e maus momentos, e vão embora sem nenhum prévio aviso. Porém não levam tudo com elas. Deixam algumas coisas que, na pressa, se esquecem de pegar, ficando a gen-te diante dessa bagunça, sem saber o que fazer, ou se o quer fazer, para co-meçar uma faxina que jamais seria completa. É essa movimentação que desperta a sonolenta saudade, que sempre vem em nosso socorro. Ela nos ajuda a colocar as peças espalhadas nos seus devidos lugares, sem precisar destruir nenhuma delas. Depois do serviço terminado, ela nos pede para cantar umas canções, escrever ou recitar uns versos ou mesmo derramar algumas lágrimas. Essas coisas fazem-na voltar a dormir até o transtorno de uma nova invasão.
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Para pensar um pouco mais:
“O bom é que quando um amor se vai, logo encosta outro, novinho em folha, e até lhe dá um empurrãozinho, quando não um pontapé.” Nabor Nunes
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