O carinho feito a uma pessoa não fere necessariamente uma terceira. O que fere é o falso carinho, o exclusivista, aquele mercantilizado, usado como instrumento de chantagem, geralmente motivado pela intenção da posse. Aí, a suposta ternura se torna uma espécie de moeda com que se compra a submissão e até as mecânicas carícias de outro. Quando esse outro esboça algum sinal de expandir seu universo afetivo, o chantagista se sente magoado. Essa espécie de carinho, exigido e privativo, facilmente se esgota. Entretanto, o verdadeiro carinho é um dom que não se desgasta, vez que é uma dádiva do ser a outros seres e, quanto mais se expande até outros alcançar, mais se intensifica em cada um.
ÁLVARO LAREDO
(Personagem do romance Cláudia e Anelise-paixões de outono, disponível pelo site www.clubedeautores.com.br.
Nenhum comentário:
Postar um comentário