Nabor Nunes -1992
Doravante quero viver esse meu outro,
tão fascinado pelo que mais teme,
amedrontado pelo que mais quer
e sufocado pelo que lhe escapa.
É ele a verdade que só quer mentir:
a prazerosidade descontente;
o ponto de desencontro
das incertezas mutáveis.
Ele me faz
querer ser o que é,
e o que não é, ser mais ainda.
Instiga-me a fazer que minha solidão me baste
e que meu vazio me preencha por inteiro;
que as noites dos meus sonhos sejam longas,
mais longas ainda minhas horas de ausência.
Quero por ele
merecer toda ternura
desta brisa fria que me aquece a alma
e me embriaga de mais vida.
Escolher ter a paz de não ter nada,
porque nada ter é ser um todo.
Despir-me do alheio corpo
que uma vez foi meu
e assumir inteiramente
minha própria epiderme sequiosa.
Trocar a momentaneidade do prazer
pela grandiosidade eterna do desejo.
Doravante preciso assumir esse meu outro.
Meu outro absurdo.
Meu outro verdade.
Meu outro carência.
Meu outro incoerência.
Liberdade.
Tão diferente
e tão semelhante a outros!
Esse outro que é tão outro
que chega até a ser eu mesmo.
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Do livro VERSOS DO AMOR DIVERSO
www.clubedeautores.com.br
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Pensamento da semana: "Pensando bem, sou louco mesmo! Graças a Deus!" Nabor Nunes
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